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Retratos da Alma
Tatiana Kielberman

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Solidão – Por @helenyg

Solidão que dá prazer. Gosto de ficar só. Sentar em uma poltrona confortável e ler um livro. Ouvir minhas músicas preferidas sem interrupção ou um filme em que possa me emocionar sem que aqueles que estão por perto fiquem preocupados ou tentando entender.

Ir ao teatro só. Ficar olhando os atores, observando atentamente o cenário e, muitas vezes, imaginando-me como determinado personagem, sem que me interrompam com comentários ou toques que tiram a concentração.

Viajar. Isso é maravilhoso e esclarecedor quando feito sozinho. Só você e suas procuras. Encontros acontecem, você os aproveita e depois segue.

Solidão que dói. Solidão do intelecto. Ser um pária no meio dos familiares só por desejar conhecimento, por amar o saber e desejar conversar sobre isso. Ter opinião e querer discutir a de outros. Solidão que marca.

Solidão que quase mata. A indiferença. Ser ignorado por alguém dá uma sensação de inadequação que vai matando a autoconfiança pouco a pouco e, no final, a alma.

A solidão do amor não correspondido pode doer ou não. Depende de você. Para mim, às vezes, vem uma dorzinha, mas é aquela dorzinha gostosa da saudade, pois meu amor é meu, o tenho. Ele ocupa espaço, é real, mesmo que o outro não saiba ou não queira.

Solidão é destino. Devemos nos preparar para ele. Destino da velhice ou de quem se deixa envelhecer. Destino de quem tem um companheiro ou não tem. Com filhos ou não. Solidão é um lugar que todos habitaremos um dia.

Não temo. Eu me preparo dia após dia para ela. Mantenho a mente alerta. O coração aberto. Não temo o contato, seja virtual ou real. Amo pessoas e nada melhor para aplacar a solidão do que simplesmente conversar.

Solidão pode ser aventureira ou carcereira. Depende de como você se comporta diante da vida.

Mansfield Park – Por @lunnaguedes

“Ela era pequena para sua idade. Sem brilho na pele, não possuía nenhum traço marcante de beleza. Excessivamente tímida e acanhada, andava sempre encolhida. Entretanto, suas maneiras, embora desajeitadas, não eram vulgares, sua voz era doce e quando falava a sua fisionomia era bonita” (…) – pág 12

Finalmente chegou “maio” – o mês dos meus olhos, do meu coração, do meu sentir… É quando o sol se torna opaco e, mesmo brilhando lá fora, posso ignorar sua força e pressentir as cores de forma menos angustiante. Creio, só para contrariar os pesquisadores que afirmam que as cores são reflexo direto das luzes, que quando o sol não se faz presente, as cores são mais quentes e agradáveis para os olhos e para a alma. Basta apreciar o colorido das árvores que se agigantam em filas nas alamedas que “devoro”.

Enfim, maio é tempo de Jane Austen e pela primeira vez não fui diretamente para “Orgulho e Preconceito” – fui de encontro ao que considero seu melhor livro. (Mesmo amando “Pride and Prejudice” – mesmo tendo sido completamente apaixonada por um certo Mr. Darcy em tempos idos. Confesso sem receio que ainda hoje ele me faz sorrir com seus atos e às vezes ausência de palavras. E me faz suspirar com o que pressinto de sua postura de homem à moda antiga. As feministas que me desculpem, mas é essencial ser homem à moda antiga. Abrir portas, puxar cadeiras, andar do lado de fora da calçada. Coisas simples que nos lembram da nossa condição de mulher).

“No entanto, foi necessário mais tempo que Mrs. Norris estava disposta a permitir para que Fanny ficasse conformada com a mudança para Mansfield Park, e com a separação de todos com quem ela estava acostumada a conviver. Os sentimentos da menina eram bastante intensos e por serem mal compreendidos ninguém os valorizava. Ninguém tencionava ser indelicado, mas também não mudavam a sua rotina para deixá-la confortável.” (…) – pág. 13

Enfim, mas o assunto em voga é “Mansfield Park” e sua personagem principal Fanny Price, que é uma sonhadora, apaixonada. Ela não tem a força de Elizabeth Bennet (nenhuma outra personagem de Austen o tem) mas tem a determinação de quem ergue a cabeça e decide somente se casar por amor. Isso, nos tempos em que a história é narrada, era algo pouco comum, afinal, as escolhas nunca eram feitas pelas senhoritas, que se ocupavam mais em saber o quanto teriam de rendimentos ao ano.

“Nesse momento, Fanny era incapaz de expressar seus sentimentos, mas seu semblante e algumas palavras sinceras demonstraram toda sua gratidão e seu contentamento e Edmund começou a achar a sua prima interessante. Eles conversavam mais. E por tudo o que ela disse Edmundo ficou convencido de que Fanny era uma menina afetuosa e que possuía um desejo forte de agir corretamente.

Além disso, pôde perceber que ela merecia mais atenção devido à delicadeza de sua situação e pela sua timidez. Ele nunca havia lhe feito mal, mas sentia que agora ela necessitava de carinho e queria diminuir-lhe o medo que ela sentia por todos, causado pelas primeiras impressões”. (…) – pág. 15

Fanny é, na verdade, alvo de duras críticas pelos fãs da autora, que não conseguem entender sua postura, sempre passiva e contida. Ela parece dar sempre um passo atrás e se esconder para que ninguém a perceba, mas basta conhecer a história da menina, que é filha de uma mulher que casou-se com um homem de pouca fortuna e tinha filhos demais.

Sua irmã, bem afortunada, resolve adotar um dos filhos do casal para ser educado e ensinado da melhor forma que o dinheiro poderia pagar. Fanny é a escolhida e se muda para Mansfield – a história deixa claro que a personagem é tratada com distinção, ela mesma se sente incomodada naquela casa, tendo apenas um lugar onde se sente confortável de fato. É nesse ambiente que a personagem forma sua personalidade e, também, se apaixona – ao mesmo tempo em que desenvolve uma habilidade bastante interessante, ela é capaz de avaliar corretamente o caráter das pessoas e fazer juízos acertados através do olhar e poucas palavras.

Enfim, esse é um daqueles livros para se sentar no canto do sofá, manta sobre os pés, lenha a arder na fogueira e um bom vinho tinto como companhia. Não é leitura para dias inteiros e sim para horas interas…

Ah! No Brasil, o livro foi lançado em edição bilingue pela Landmark e tem tradução de  Adriana Zardini (mestre em educação, especialista em língua inglesa e presidente do Jane Austen Sociedade do Brasil). Há muitos erros de digitação e de ortografia também. O que nos pede paciência. Eu li a versão em português por curiosidade. A história esta bem traduzida, mas sigo dando preferência para a versão original, em inglês.

Mansfield Park

Jane Austen
Tradução. Adriana Zardini
Editora Landmark

Duas décadas… – Por @heliabh

16 de maio de 1992, Viçosa, Minas Gerais. Fiquei parada por um tempo, olhando aquele rapazinho loiro de cabelos cacheados. Um menino ainda, mais ou menos da minha idade, que sorria para mim. Um pouco antes, por volta das dezesseis horas, eu havia caminhado para o alojamento masculino, um pouco indecisa. A festa que movimentava toda a cidade, a chamada “Marcha Nico Lopes”, deixava os jovens em estado de efervescência. A festa acontecia, basicamente, assim: durante todo o dia, os jovens faziam a “concentração” em todas as repúblicas e alojamentos de estudantes da cidade. Por concentração, leia-se: bebedeira o dia todo! À noite, todos se reuniam nas proximidades do barzinho do DCE, na Universidade Federal de Viçosa. Ali, organizava-se a marcha, tendo a cada ano um tema, uma situação a que os jovens faziam uma crítica política de forma irreverente, normalmente formando blocos.

Todos estavam eufóricos! Eu, porém, fiquei me lembrando da minha amiga Carla, com quem havia combinado de passar toda a festa. Havíamos decidido sair nesse ano no Bloco dos Baianos – eu e minha eterna atração por meninos nordestinos – e seria a primeira vez que eu faria isso, participar de um bloco. Sempre preferi ficar pipocando mesmo, com minha camiseta e meu shortinho básico, dançando no meio do povo. Dessa vez havia mudado de ideia e ia sair num dos blocos mais animados. Mas, sem muita explicação, minha amiga havia resolvido cortar relações comigo, bem às vésperas da festa. Assim, acabei decidindo por aceitar um convite do meu amigo Sérgio e desisti de sair no bloco. Fui pra concentração em um dos apartamentos do alojamento masculino. É claro que havia um motivo especial para isso. Nas aulas de Português instrumental eu fiz amizade com vários meninos da Engenharia Civil e eles haviam me apresentado um colega deles, também calouro da Civil, o Robson. Imediatamente, ele se interessou por mim, eu o achei engraçadinho e começamos uma paquerinha. O Robson morava no apartamento do Sérgio e já havia me convidado para ficar lá na concentração. Diante do afastamento da minha amiga, do convite do Sérgio e do Robson e do meu interesse no calouro, não teve como deixar de ir para a festa no apartamento deles.

Assim que entrei no apartamento, fiquei por um tempo parada na porta. Meus olhos se dirigiram para a janela da sala, onde estavam dois rapazes, de costas para mim. Um deles, loirinho, de cabelos um pouco cacheados, olhou para trás e cruzou os olhos com os meus. Ele me lançou um sorriso e eu sorri para ele também, sem me mover. Até que o meu paquerinha, o calouro, me encontrou e saiu me arrastando. Robson me levou para o quarto onde haviam colocado a aparelhagem de som. Ele estava, justamente, cuidando do som, que haviam colocado próximo à uma janela. Ali, enquanto escolhia as músicas que iam animar o ambiente, ele me beijava e abraçava. Eu me senti a namorada do Dj! Em frente à janela, do outro lado do quarto, havia um beliche. Sentei-me na cama de baixo. Robson ficava o tempo todo bebendo – bebia muito! – e indo de lá pra cá: vinha até mim, me beijava, voltava a cuidar do som; vinha perto de mim de novo, voltava pro som. No início estava divertido, mas depois foi ficando meio sem graça passar tanto tempo ali sentada sozinha esperando os momentos em que o calouro podia deixar o som e ficar um pouco comigo.

Foi em um desses momentos de tédio que senti a cama de cima do beliche balançando! Percebi que era alguém que, sentado na cama, ficava dançando todo empolgado. Parecia que ia cair bem em cima da minha cabeça! Sentada onde estava, eu chutei os pés da pessoa, que eu nem sabia quem era, para ver se ele ou ela se tocava e parava de dançar e pular na cama acima da minha cabeça. Chutei os pés duas, três vezes… Até que, na terceira vez, ele se abaixou, olhou pra mim e sorriu. Era o tal loirinho que eu havia visto logo que cheguei ao apartamento! Por algum motivo incrivelmente misterioso, ele gostou de mim… E passou o resto do tempo andando atrás de mim na festa, me roubando beijos, tentando de todo jeito me conquistar! Eu resistia bravamente – embora não tenha conseguido resistir a alguns beijos muito bons! – porque já estava acompanhada. Mas o Robson ficava a cada momento mais bêbado e passou a ter umas atitudes com as quais eu não concordava muito. E eu já pensava, seriamente, em parar de resistir. Porque, afinal, ninguém deveria nunca fugir da felicidade…

16 de maio de 2012, Belo Horizonte, Minas Gerais. Fiquei parada por um tempo olhando, sobre a mesa, as lindas flores que eu havia recebido no meu trabalho no meio da tarde, com um cartão que dizia “Sempre vou te amar”. Ao lado delas, um par de sapatos lindos, exatamente os sapatos que eu havia namorado na vitrine de uma loja do shopping há alguns dias. E próximo à janela, aquele mesmo rapaz, agora não tão menino, com seus cabelos – mais grisalhos do que loiros – não mais cacheados, sorriu para mim. Aquele mesmo sorriso, como se dissesse que havia esperado por mim a vida toda. E eu sorri também, enquanto pensava por que motivo incrivelmente misterioso aquele homem me amava, de uma forma tão sincera, há exatamente vinte anos! E pensei que, afinal, não há felicidade maior do que se sentir realmente, verdadeiramente e intensamente amada por alguém!

“Entre as coisas mais lindas que eu conheci, só reconheci suas cores belas quando eu te vi…
Entre as coisas bem-vindas que já recebi, eu reconheci minhas cores nela então eu me vi…

Está em cima com o céu e o luar… Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas, e séculos, milênios que vão passar! (…) E as coisas lindas são mais lindas quando você está… Onde você está…
Hoje você está nas coisas tão mais lindas… Porque você está… Onde você está…
Hoje você está nas coisas tão mais lindas!”

(Nando Reis – As coisas tão mais lindas)

Sobre Cães e Amor – Por @Marilia_SL

Confesso que sou uma chorona emérita quando vejo filmes que envolvem animais. Essa é a verdade! Outro dia, estava em uma deliciosa sessão pipoca com a minha família e decidimos ver “Marley & Eu”… Já tinha visto o filme e, antes dele, lido o livro.

Quando eu estava terminando o livro e me acabando em lágrimas, ouvi de um certo alguém: “Nossa, o que aconteceu? Por que você está chorando tanto?” e respondi: “O Marley morreu”. A tréplica foi a pior coisa que eu poderia ouvir de alguém: “Ah, está soluçando por um cachorro? Inacreditável!”.

Bom… Na realidade, não foi bem por aquele cachorro que eu chorei no momento. Foi por todos eles: Diana, Doutor, Oona, Nerz, Pituca, Madona, Bruce, Tata, Rudá… e foram tantos…

Eu sabia que aquela sessão pipoca seria reviver o definhar de todos os meus antigos companheiros, e isso dói tanto… mas é necessário!

É importante ter dentro da gente o sentimento de perda para, enfim, dar valor ao que temos.

Mas, sempre fica a pergunta: “Por que é que eles vão tão cedo?”. A resposta vem de um jeito super simples que só uma criança pode falar.

Essa pergunta foi retirada da história a respeito de uma família de pai, mãe, filho e cão, sobre como dar ‘adeus’ ao cão, já idoso e sofrendo com câncer. A família decide, então, proceder a eutanásia do animal e acabar com o sofrimento dele. Aí, rolam lembranças a respeito de como o cão era bom, como ele demonstrava amor e assim por diantei.

Em certo momento, a mãe se pergunta em voz alta: “Como ele pôde ir tão cedo?” e o menino responde: “As pessoas nascem para que possam aprender a viver uma vida boa – como amar todo mundo o tempo todo e ser bom, certo?” A continuação da criança de seis anos de idade: “Bem, cães já nascem sabendo como fazer isso, então eles não precisam ficar por tanto tempo.”

Bom… Ainda temos a Balú, a Belinha, o Fubá, o Ralph, a Layla, a Mel, o Minduim, a Nina, a Chiquita, a Flô, o Tinho e a Marela… Na realidade, eles nos têm… E é por eles hoje que estou aqui. Para sempre ter em mente o que eles significam para mim.

A cada passo, um agradecimento – Por @MhariliaFelix

Costumava olhar para o que me faltava,
Para as coisas que eu não tinha,
Coisas que eu não precisava ter.


Agora, passei a olhar, com delicadeza,
Para aquilo que eu tenho.
Que, de verdade, eu preciso.


Em tão alto grau, me recordo, e me comovo.
Mas, graças a Deus, a vida é generosa até com os ingratos.
Pena que eles não percebem.


Na verdade, “há muito mais a agradecer do que a pedir”.
Há muito mais a sonhar do que a reclamar.


A cada passo, um agradecimento.


A alegria, muitas vezes, atravessa nosso o olhar
Para poder chegar ao coração.


E a gratidão
É um sentimento que abraça as pessoas
Com esta capacidade de enxergar o que é preciso.


“Eu agradeço!”

Moça – Por @RosamariaRoma

Nunca fora de beber
Mas aquela noite fria acalentava por uma taça de vinho

Sentou-se diante da lareira
A moça, que já não era mais tão moça,
Por um breve instante, estava em paz

Ela, somente ela ali
Aquela moça, que outrora portava um sorriso iluminado
E acreditava nos bons sentimentos
Sentia tanto orgulho de si, por ser assim

O tempo passou.
A moça já não era mais tão moça
Não portava mais aquele orgulho
Nem se identificava com as personagens das histórias românticas
Que sempre a inspiraram
Perdeu-se o sorriso e calou a poesia

Mais um gole
Olhou para si, para sua aparência, para as mãos
Respirou fundo
Mas a sensação que permanecia ainda era de falta de ar

Apesar da aparência de forte
Era apenas uma moça frágil
Que se quebrava tão facilmente
Envolta a seus medos e pensamentos tortos

Quando moça, adorava escrever
Agora mulher, não se permite mais tal devaneio
Desacreditou de qualquer sentimento que a fazia escrever

Recusa-se apenas a silenciar aquela voz, que todas as noites
Ao adormecer, sussurra palavras de esperança e fé
E sempre a convencem de que o amanhã será melhor

A moça, que já não é mais tão moça
Estranhamente, naquela noite,
Diferente de todas as outras, estava calma
Com vontade de escrever
Sentindo que não era tarde para recomeçar.

Mãe – Por @claucocalight

MÃE é vida. Simples assim. Hoje dirão mil palavras, tentarão colocar no concreto mundo do texto o abstrato sentimento. É o que fazemos nós, poetas e escritores de vício, de necessidade, de vida. Sinceramente eu também pensei em fazê-lo, mas não consegui. É quase sempre assim quando me afogam os pensamentos vários, uma locomotiva enlouquecida de sentimentos, uma torrente tão grande de palavras, que não consigo ordenar. Para ser ainda mais sincera, concluo que é isso: essa palavra–chamamento MÃE é tão sublime que não consigo expressá-la a contento.

MÃE é vida. É uma confusão, uma sensação, uma abstração. MÃE, mesmo rígida, não é concreta, MÃE é sempre abstrata, algo sensorial desde o ventre. MÃE é o grilo falante na cabeça da gente, é aquele sentimento longo e silencioso de meditação, é crítica, é chão, é segurança e retorno.

MÃE é brilho no olho, é nome inteiro de filho (toda mãe quando quer chamar a atenção se utiliza do nome inteirinho da gente, esquecendo qualquer apelido), é um cheiro de memória, é vida fora (?) da gente que nos explica a existência.

Minha MÃE é dessas que fala pouco, daí, quando ela dá de contar uma memória ou outra de sua vida, eu quase paro de respirar para sorver cada vírgula. Grande parte da história dela é também um pouco minha. Essa mulher, que ganhou mais vida quando a tirei do altar magnânimo da maternidade hiper sapiente, que só existe na imaginação dos muito jovens, me presenteia com sua vivência. É um fato, olho para ela sempre com olhos famintos, desejando uma palavra, um carinho, um alento ou, o melhor de tudo: sua história pessoal. Freud deve explicar…

Em cada MÃE que conheço, reconheço um pouco da minha e também sorvo, encantada, seus movimentos, suas palavras, seus anseios e seus cuidados. Toda mãe carrega em si uma leoa, às vezes mais selvagem, tantas vezes mais suave. Umas criam filhos livres para ganhar o mundo e vez em quando dar notícias, já outras criam a dependência, filhos sempre embaixo de seus olhos atentos, fazem deles sua vida, afinal, são seu tributo.

Parabenizo todas as mães do mundo no dia de hoje. Parabenizo e aproveito para lhes agradecer a existência com a qual colorem a vida de seus filhos e, num exagero de carinho que só as mães parecem ter, colorem também, a existência daqueles que partilham mais intimamente da vida de suas crias, estendendo a eles o cuidado, o sorriso, a receptividade do aconchego carinhoso de seus abraços.

Tenho certeza de que quem inventou o ABRAÇO foi uma MÃE, posto que todo abraço amoroso é um sussurro de Deus.